Bejuzeiras de Areia Branca recebem o Prêmio Tereza de Benguela: um marco na valorização da tradição afroindígena em Lauro de Freitas

Em uma noite marcada pela emoção e pelo reconhecimento das raízes que sustentam a identidade cultural de Lauro de Freitas, o grupo das Bejuzeiras de Areia Branca foi homenageado com o Prêmio Tereza de Benguela — uma das mais importantes honrarias destinadas a mulheres negras e indígenas que promovem resistência, tradição e protagonismo nos territórios em que atuam.

Consideradas um dos grupos mais tradicionais da cidade, as Bejuzeiras carregam no ofício ancestral de preparar o beiju — alimento de origem indígena feito a partir da mandioca — um saber que ultrapassa a culinária. Cada beiju é um gesto de memória, uma oferenda à ancestralidade e um ato de resistência diante da modernidade que insiste em apagar as marcas do passado.

O reconhecimento vem em um momento em que se torna urgente celebrar quem mantém viva a cultura que nos formou. O prêmio, que leva o nome de Tereza de Benguela — símbolo da luta de mulheres negras e quilombolas — é também um chamado à valorização das práticas tradicionais que sustentam a dignidade dos povos originários e afrodescendentes.

Como lembra a educadora Lélia Gonzalez: “A cultura afrobrasileira é a forma de resistência mais sofisticada contra o processo de desumanização imposto pela colonização.” E é essa sofisticação que as Bejuzeiras expressam em cada roda de conversa, em cada beiju feito com cuidado e história, em cada partilha que une o alimento ao afeto.

O prêmio é, portanto, mais do que um troféu. É o reconhecimento de que sem as mãos pretas e indígenas, não há futuro justo possível. É a certeza de que honrar a tradição é um gesto de esperança.

Parabéns às Bejuzeiras de Areia Branca por manterem vivas as raízes da nossa identidade. Que esse prêmio fortaleça ainda mais a luta por dignidade, respeito e valorização dos saberes ancestrais.

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