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Encontro de gerações marca desfile do Alvorada com a força do Banjo Novo no Carnaval de Salvador 2026

Banjo como movimento contemporâneo se une ao bloco mais antigo de samba da folia para celebrar ancestralidade, continuidade e futuro

O Carnaval de Salvador 2026 será palco de um encontro simbólico entre passado, presente e futuro do samba. O Bloco Alvorada, o mais antigo bloco de samba do Carnaval da capital baiana, recebe no seu desfile da Sexta-feira da folia o Banjo Novo, movimento que representa a renovação da linguagem do samba e a conexão direta com as novas gerações.

Fundado em 1975, o Alvorada carrega a memória viva do samba que abriu caminhos na avenida, mantendo há cinco décadas um repertório autoral, uma ala de canto formada por artistas da terra e uma relação profunda com a religiosidade afro-baiana. Ao convidar o Banjo Novo para integrar seu cortejo, o bloco reafirma seu papel histórico não apenas como guardião da tradição, mas como espaço de diálogo e continuidade.

O Banjo Novo surge como expressão contemporânea do samba, colocando o banjo no centro da cena musical e aproximando juventudes, rodas de samba, novos públicos e linguagens urbanas. Mais do que um instrumento, o banjo se transforma em símbolo de movimento, de pulsação coletiva e de reinvenção do samba sem romper com suas raízes.

Na avenida, esse encontro se traduz em som, corpo e ancestralidade. De um lado, o Alvorada, que inaugurou a Sexta-feira de Carnaval e ajudou a consolidar o samba como linguagem central da folia baiana. Do outro, o Banjo Novo, que aponta caminhos para o futuro, dialogando com a cidade contemporânea e mantendo o samba vivo no cotidiano das novas gerações.

O desfile acontece sob o tema “Nengua Guanguacese: 100 anos de mar, folha e fé”, homenagem à sacerdotisa Dona Olga Conceição Cruz, referência do candomblé Angola e do Terreiro Bate Folha. A escolha do tema reforça o sentido do encontro: assim como o axé se transmite entre gerações, o samba também se constrói na continuidade, no aprendizado coletivo e na escuta entre mais velhos e mais novos.

Para o presidente do bloco, Vadinho França, a união entre o Alvorada e o Banjo Novo simboliza o próprio espírito do samba. “O samba só existe porque passa de mão em mão, de geração em geração. Quando a juventude chega, ela não apaga a história — ela amplia”, afirma.

Mais do que um desfile, o Alvorada propõe, em 2026, uma celebração do tempo. Um samba que honra quem veio antes, acolhe quem chega agora e aponta para o amanhã. Na batida do banjo e no passo firme do bloco mais antigo da folia, o Carnaval de Salvador reafirma que tradição e renovação não são opostas — caminham juntas.

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