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Março Mulher: Independência financeira é fator de proteção contra violência de gênero, aponta especialista Tamires Santos

 

 

No mês da campanha Março Mulher 2026, movimento gratuito fortalece mulheres negras empreendedoras e destaca autonomia econômica como estratégia de enfrentamento ao feminicídio

Em 2026, a campanha Março Mulher da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados ganha um significado ainda mais urgente ao se alinhar ao recém-assinado Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, firmado em 4 de fevereiro pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A iniciativa reforça que o combate à violência contra a mulher exige ações integradas, e especialistas apontam que a autonomia econômica é uma das dimensões centrais dessa estratégia.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra milhares de casos de violência doméstica e feminicídio todos os anos, sendo que a dependência financeira ainda é um dos fatores que dificultam o rompimento de ciclos abusivos. Para muitas mulheres, especialmente negras, a ausência de renda própria e de rede de apoio limita a possibilidade de sair de situações de violência.

Para Tamires Santos, gestora pública, psicoterapeuta e especialista em Empreendedorismo e Desenvolvimento Humano, palestrante e escritora, discutir enfrentamento à violência sem falar de independência financeira é tratar apenas parte do problema. “Autonomia econômica não é apenas sobre renda. É sobre poder de decisão, segurança e possibilidade real de romper com situações que ameaçam a vida. Quando uma mulher não depende financeiramente do agressor, ela amplia suas chances de proteção”, afirma.

Dados do Sebrae indicam que mais de 10 milhões de mulheres estão à frente de negócios no Brasil, mas muitas ainda empreendem por necessidade, diante da exclusão do mercado formal. Entre mulheres negras, os desafios são ainda maiores, com menor acesso a crédito, redes estratégicas e capital inicial. Nesse contexto, fortalecer o empreendedorismo feminino com suporte emocional e estratégico se torna também uma política de prevenção.

É a partir dessa compreensão que surge o movimento “Uma vai e puxa outra”, iniciativa gratuita voltada ao fortalecimento emocional e estratégico de mulheres negras empreendedoras. O movimento oferece encontros quinzenais que unem acolhimento psicológico, formação em gestão, acesso à cultura, lazer e bem-estar, reconhecendo que a sustentabilidade econômica depende também de saúde mental e rede de apoio.

“A violência de gênero não começa no feminicídio. Ela começa na desigualdade estrutural, na sobrecarga, na exclusão econômica. Quando fortalecemos mulheres para que tenham renda, estratégia e suporte emocional, estamos atuando na base do problema”, explica Tamires.

O alinhamento da pauta econômica com o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio amplia o debate sobre políticas públicas integradas. Para a especialista, não basta punir a violência; é necessário investir na autonomia das mulheres como política permanente de prevenção.

“Empoderamento não é slogan. É estrutura. É garantir que mulheres tenham condições reais de sustentar suas decisões e proteger suas vidas. Independência financeira salva vidas”, conclui.

 

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Caroline Vilas Bôas

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