Dermatologista explica que estresse acumulado, ciclos biológicos e gatilhos silenciosos podem ser fatores da queda repentina; segundo Ana Maria Benvegnú, ignorar os sinais pode acelerar calvície e afinamento dos fios
Os primeiros meses do ano costumam trazer um aumento significativo nas queixas de queda de cabelo, tanto de mulheres quanto de homens. Segundo a médica dermatologista Ana Maria Benvegnú, isso não é apenas coincidência. Ela explica que, nesse período, é comum o surgimento do Eflúvio Telógeno Agudo, quadro em que a quantidade de fios que caem ao longo do dia cresce de forma perceptível, especialmente na hora do banho.
De acordo com a especialista, esse tipo de queda aparece cerca de três meses depois de um gatilho importante, como estresse, perda de peso, pós-parto, cirurgias ou infecções como a dengue. O estresse acumulado no fim do ano, por exemplo, costuma ser um dos principais responsáveis pelo aumento da queda justamente agora.
A dermatologista orienta que a queda se torna preocupante quando ultrapassa três meses, quando é muito intensa ou quando o paciente já apresenta fios finos, ralos ou histórico familiar de calvície. “Nesses casos, é fundamental procurar um dermatologista para evitar que os fios novos cresçam cada vez mais finos”, alerta. Outros sinais de atenção incluem coceira, dor, ardência, sensibilidade no couro cabeludo, alargamento da risca central e couro cabeludo visível mesmo sem queda acentuada.
Embora homens e mulheres possam apresentar todos os tipos de alopecias, há padrões mais frequentes em cada grupo. “Nas mulheres, vemos muitos casos de Eflúvios Telógenos e de Alopecia Androgenética, em que os fios afinam progressivamente. Já nos homens, a causa mais comum é a calvície”, explica a dermatologista.
A investigação dos casos inclui exames gerais, glicemia, hormônios, vitaminas, minerais, marcadores inflamatórios e autoimunes, além de sorologias. O tratamento é sempre personalizado. “Primeiro entendemos o motivo da queda; depois estruturamos um plano direcionado. Homens e mulheres podem ter abordagens diferentes, mas o essencial é tratar a causa”, afirma.
No caso feminino, fatores hormonais, estresse e ciclos menstruais têm grande impacto. “A queda geralmente é multifatorial: hormônios, genética, estresse e até questões nutricionais podem atuar juntos”, compartilha.
Sobre suplementos, a dermatologista reforça que vitaminas bem indicadas podem ajudar, mas usadas sem orientação podem não surtir efeito. Entre os hábitos que pioram a queda estão estresse crônico, dietas restritivas, oscilações hormonais, químicas excessivas, tração capilar, uso intenso de calor, doenças não tratadas e alguns medicamentos. Já para fortalecer os fios, ela recomenda alimentação rica em nutrientes e uma rotina de lavagem equilibrada.
Ana Maria também esclarece mitos comuns: lavar o cabelo todos os dias não causa queda; boné não provoca calvície; dormir com o cabelo molhado não faz cair, embora favoreça dermatite seborreica; e o secador muito quente, próximo ao fio, pode danificar a haste capilar.
A chamada queda sazonal, que costuma ocorrer no outono, também é real. “Nosso organismo acompanha ciclos fisiológicos semelhantes aos da natureza. Assim como as árvores perdem folhas, nós também passamos por um período de maior queda. E quando somamos isso ao estresse, o impacto é ainda maior”, completa a médica.
*Cabelos no Carnaval*
Com sol forte, suor, glitter e sprays coloridos, o Carnaval exige cuidados extras. “O ideal é aplicar leave-in com proteção UV ou protetor solar capilar e proteger o couro cabeludo nas áreas expostas”, orienta Ana Maria Benvegnú.
A médica recomenda ainda: lavar e secar os fios ao voltar dos blocos, evitar dormir com glitter ou tinturas temporárias e usar shampoo antirresíduos seguido de condicionador. Antes de sair, vale reforçar a proteção solar nos fios e na risca central do couro cabeludo. Depois da folia, hidratação e reconstrução são fundamentais, e qualquer alteração no couro cabeludo deve ser avaliada por um dermatologista.podcast Edinhotaon/ Edno Mariano





