Cortejo solidário promoveu um encontro de gerações com varolização da pessoa idosa e arrecadação de alimentos para doação
Quem percorreu as ruas do Pelourinho no fim da tarde deste domingo, 15, se deparou com uma verdadeira homenagem ao Samba Junino promovida pelo Bloco Quero Ver o Momo ao longo do Circuito Batatinha. Levando os batuques do samba duro em alas culturais que exaltavam, por meio de figurinos e adereços, esse ritmo reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Salvador, a associação cultural e carnavalesca uniu tradição, ancestralidade e encontro de gerações em uma festa voltada, sobretudo, ao bem-estar da pessoa idosa.
Reunindo mais de 600 foliões, o bloco foi animado pelo sopro e pela percussão da Orquestra de Rua Recordar, com um repertório que alinhava antigos carnavais a músicas que permanecem vivas na memória popular, dialogando diretamente com o anfitrião do dia: o Samba Junino. O batuque que não deixou ninguém parado ficou por conta do Samba Fogueirão, grupo com raízes no bairro da Federação e referência na preservação do chamado samba duro.
Outro destaque do cortejo foi a participação da Realeza Momesca da Melhor Idade – formada por Rainha, Princesa e Miss Simpatia – que desfilou em ala própria, reafirmando o protagonismo das mulheres idosas no Carnaval. Junto a elas, baianas, mestre-sala e porta-bandeira, mestras e mestres do Samba Junino e demais alas compuseram um desfile marcado pelo afeto e pela memória coletiva.
“Em parceria com o artista plástico Joaquim Assis, os figurinos foram confeccionados especialmente para criar esse universo de sentidos do Samba Junino, ritmo que nasceu e cresceu nas comunidades de Salvador e embala gerações imersas nessa cultura das ruas. Foram meses de trabalho pensando em como oferecer uma folia inclusiva e alegre, exaltando a cultura afro-brasileira a partir das nossas raízes, e acredito que o resultado tenha sido satisfatório para todos que participaram ou avistaram o cortejo nas ruas do Pelourinho”, comemora a produtora cultural Cris Santana, presidente do Bloco Quero Ver o Momo.
Além do caráter cultural, a edição de 2026 também foi marcada por uma ação solidária inédita: para participar do cortejo, o público realizou a troca do abadá por 2 kg de alimentos não perecíveis. As doações arrecadadas serão destinadas a instituições sociais parceiras, o Lar Santo Expedito e a Instituição Beneficente Conceição Macêdo, ampliando o impacto do projeto para além da folia.
Neste ano, o desfile do Bloco Quero Ver o Momo contou com apoio do Samba Vivo e da Secretaria Municipal da Reparação – SEMUR. A Associação Cultural e Carnavalesca Quero Ver o Momo é uma entidade apoiada pelo Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo da Bahia que fortalece a cultura popular e identitária do estado. Em 2026, o Ouro Negro tem investimento recorde na valorização de blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio. Com esse apoio, a tradição e a ancestralidade são protagonistas no carnaval e nas festas populares da Bahia.





