Neste sábado (17), Noite da Beleza Negra elege a 45ª Deusa do Ébano do Ilê Aiyê

 

As 15 finalistas se apresentam na Senzala do Barro Preto em busca do título de representante da realeza negra do bloco afro pioneiro do Brasil

Nem toda coroa brilha, mas algumas sustentam o mundo. No dia 17 de janeiro, às 22h, a Senzala do Barro Preto, no Curuzu, volta a ser território sagrado de afirmação, memória e cultura preta com a realização da 45ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê, que elegerá a Deusa do Ébano 2026. Inspirada no tema do Carnaval do bloco, “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, a cerimônia destaca que há coroas que não pesam, mas libertam, feitas de tecido, pena, fé e dignidade, erguidas por cabeças que nunca se curvaram.

Em meio a processos históricos de exclusão e silenciamento, expressões culturais negras e indígenas seguiram vivas, reinventando-se como formas de resistência e permanência. Nesta edição, a Noite da Beleza Negra evidencia esse diálogo ancestral, reconhecendo a força compartilhada entre povos que transformaram identidade, espiritualidade e arte em legado. O Curuzu, coração pulsante da negritude em Salvador, mais uma vez se transforma em palco de um concurso que desloca a beleza do campo da aparência para o da consciência política.

Durante a noite, 15 candidatas sobem ao palco para disputar o título de Rainha do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, levando dança, presença, ancestralidade, carisma e energia: Bruna Christine, Camila Silva, Camila Morena, Carol Xavier, Cecília Cadile, Dandara Namíbia, Joana Sousa, Larissa Oliveira, Mavih Souza, Nayara Temporal, Rafaela Rosa, Raíssa Batista, Sarah Moraes, Stephanie Ingrid e Thuane Vitória. A vencedora receberá a coroa das mãos da atual Rainha, Lorena Bispo, que se despede do reinado após conduzi-lo com elegância, respeito e forte conexão com o público.

*TURBANTES E COCARES: O ENCONTRO DE COROAS* – Com roteiro e direção artística de Ridson Reis, a 45ª Noite da Beleza Negra propõe uma travessia cênica que entende a beleza como rito e afirmação coletiva. A concepção da cerimônia parte da compreensão de que o evento é resultado de uma construção histórica contínua, marcada pela estética negra enquanto ato político. Segundo o diretor, a montagem aprofunda imagens e valoriza os elementos que sustentam o espetáculo ao longo das últimas edições, como o canto, a percussão, a dança e a presença da mulher negra como expressão de realeza e continuidade.

“Este ano, o espetáculo nasce de escolhas muito conscientes. Os turbantes e cocares aparecem não como estética, mas como herança, resistência e pertencimento. Cada edição tem sua própria respiração. A deste ano está mais madura, mais segura do que quer dizer. E o resultado é um espetáculo mais direto, pulsante e mais conectado com o que o Ilê representa hoje. Cada cena está ali porque precisa estar e cada artista em cena está sustentando um sentido”, avalia Ridson.

A cerimônia estabelece um diálogo direto com o tema do Carnaval 2026 do Ilê Aiyê, que este ano completa 52 anos de história, ao aproximar as trajetórias do povo negro e dos povos indígenas a partir da história de Maricá, no Rio de Janeiro. A proposta ressalta que turbantes e cocares não operam como ornamento, mas como símbolos de memória, resistência e direitos forjados na luta.

A identidade visual do Ilê Aiyê tem a assinatura de Mundão, artista e designer responsável pelas estampas e pela criação da identidade visual do bloco. Já Dete Lima, fundadora e estilista do Ilê, é referência na construção da moda negra como linguagem política, de resistência e pertencimento que estruturam a Noite da Beleza Negra.

O evento também se curva para homenagear Arany Santana, co-fundadora do Ilê Aiyê, mulher que transformou permanência em gesto político e memória em ação cotidiana. Nascida no Recôncavo e forjada no Curuzu, Arany construiu, ao longo de décadas, uma trajetória que iluminou caminhos, protegeu saberes e fez da cultura um território de cuidado, força e continuidade. Sua presença sustenta essa história não como lembrança, mas como pulsação viva.

*ATRAÇÕES QUE ENGRANDECEM A NOITE* – A potência musical da noite ganha força com a participação de Aiace, Sued Nunes e Tiganá Santana, três artistas que constroem pontes entre ancestralidade e futuro. Aiace, uma das vozes mais marcantes da música baiana contemporânea, leva ao palco sua trajetória de 20 anos marcada por profundidade estética, técnica vocal e compromisso com a transformação coletiva. Sued Nunes, destaque da nova cena feminina do Recôncavo Baiano, apresenta canções atravessadas pela negritude, fé e força da cultura afro-brasileira, enquanto Tiganá Santana amplia a dimensão filosófica e sonora da noite ao unir línguas africanas, pesquisa acadêmica e experimentação musical.

A celebração também reúne Denise Correia, Gab Ferruz e Riane Mascarenhas, artistas que transitam entre teatro, canto e musicalidades afro-diaspóricas. Denise Correia, atriz e cantora com trajetória sólida no teatro, cinema e televisão, conduz o público por uma experiência cênica de memória e emoção. Gab Ferruz, representante da Nova MPB afro-pop, reafirma sua força vocal e estética conectada à ancestralidade, enquanto Riane Mascarenhas, cantora, baixista e compositora de Cachoeira, traz o reggae como linguagem de resistência, afeto e consciência social.

Na sequência de apresentações, sobem ao palco Tonho Matéria, Koanza (Sulivã Bispo) e, para encerrar com chave de ouro, Banjo Novo, em uma programação que traduz a diversidade e a vitalidade da cena cultural baiana. Tonho Matéria, referência histórica do samba-reggae e da música afro-baiana, carrega décadas de inovação, engajamento e presença internacional. Koanza, personagem criada por Sulivã Bispo, une humor, arte-educação e crítica social a partir do Curuzu, enquanto o Banjo Novo transforma o samba raiz em encontro coletivo, ancestral e urbano, celebrando a memória viva da cidade.

*DO CURUZU PARA O MUNDO* – A Band’Aiyê, anfitriã da noite, apresenta músicas vencedoras da 51ª edição do Festival de Música Negra, além de clássicos que atravessam gerações. Integram o repertório Curuzu Mainha, que levou o primeiro lugar na categoria “Tema”, Malassombrada, vencedora da categoria “Poesia”, e canções como O Mais Belo dos Belos, Nzinga Brasileira, Herança e Crença e Senzala do Amor. Cada composição reafirma o samba-afro como ato político de existência e instrumento de combate ao racismo no Brasil.

Os ingressos estão à venda pela plataforma MeuBilhete, e, reforçando o compromisso com a democratização do acesso, a 45ª Noite da Beleza Negra será transmitida ao vivo pela TVE, TV Brasil e pelo canal da TVE no YouTube, permitindo que a energia do Curuzu atravesse telas, ruas e fronteiras.
A 45ª Noite da Beleza Negra 2026 é uma realização da Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê e do Governo Federal, com produção da Caderno 2 Produções e da Central Black Entretenimento. O evento conta com patrocínio da Belov, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, e da Bahiagás; apoio institucional da Prefeitura de Salvador, por meio do Procultura; apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Edital de Eventos Calendarizados do Fundo de Cultura da Bahia, Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda; além do apoio da ITS Brasil, Macaco Gordo e TVE Bahia.

*SERVIÇO:*
45ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê
Data: 17 de janeiro de 2026 (sábado)
Local: Senzala do Barro Preto – Curuzu
Horário: 22h I Abertura dos portões: 20h30
Ingressos:
Lote social: R$48,00 (inteira) / R$ 24,00 (meia)
1º Lote convencional (Pista): R$160,00 /R$ 80,00
1º Lote Convencional (Camarote): R$300,00 / R$150,00
Link: https://beta.meubilhete.com.br/45-noite-da-beleza-negra-do-ile-aiye
Reafirmando seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, o Ilê Aiyê disponibilizará 20% da capacidade total do local do evento para a criação de um lote social, com ingressos vendidos a preço popular.

*FICHA TÉCNICA:*
Roteiro e Direção Artística: Ridson Reis
Direção Musical: Jarbas Bittencourt
Direção de Movimento: Edilene Alves e Arismar Adoté Jr.
Produção artística: Clarissa Torres
Identidade Visual: Mundão
Figurinos Ilê Aiyê: Dete Lima
Coordenação de Produção: Cris Santana
Maestros Band’Aiyê: Kehindê Boa Morte e Mario Pam
Realização e Direção Geral: Associação Cultural Bloco Ilê Aiyê
Coordenação Geral: Caderno 2 Produções

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