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O fim das comissões nos salões de beleza: a empresária brasileira que está redesenhando um setor de 272 mil negócios

Reconhecida pela Assembleia Legislativa de São Paulo e prestes a ser a voz principal do maior fórum de gestão do setor, Rafaela de la Lastra criou um sistema que já transformou mais de 120 salões no Brasil e em outros cinco países — e coloca em xeque um modelo que nunca foi questionado

Em uma indústria que movimenta bilhões e reúne mais de 272 mil salões de beleza ativos no Brasil, um dos pilares da operação nunca foi seriamente questionado: o modelo de comissões. Pagar ao profissional uma porcentagem sobre cada serviço realizado sempre pareceu natural, quase inevitável. Até que Rafaela de la Lastra decidiu propor o contrário.

Empresária, especialista em gestão de salões e terceira geração de uma família com história no setor — seu pai, Rafael de la Lastra, foi responsável por um dos maiores salões do Brasil durante 50 anos na Rua Bela Cintra, em São Paulo —, Rafaela não chegou a essa conclusão pela teoria. Chegou por dentro, após anos identificando as mesmas fraturas estruturais se repetindo nos salões que acompanhava: conflitos constantes sobre repasses, complexidade financeira crescente, profissionais sem clareza sobre sua própria renda e donos de salão sem qualquer previsibilidade de receita.

A pandemia funcionou como catalisador. Com o setor paralisado e a instabilidade de caixa exposta em sua forma mais crua, ficou evidente que o modelo tradicional não protegia ninguém — nem o empresário, nem o profissional.

Foi nesse contexto que nasceu o Sistema Autentis.

A lógica da ruptura

A proposta de Rafaela parte de uma mudança estrutural simples na forma, mas profunda na essência: em vez de comissões, os profissionais passam a locar estações de trabalho dentro do salão. Cadeiras, macas e equipamentos são utilizados mediante um valor fixo mensal. Cada profissional passa a controlar diretamente sua receita, seus atendimentos e sua gestão financeira.

Para o proprietário do espaço, o modelo cria uma base de receita previsível ao longo dos 12 meses do ano, reduz a complexidade operacional e elimina a necessidade de controle sobre cada serviço realizado. Para o profissional, amplia a autonomia e estabelece uma relação mais clara e honesta com o negócio.

Rafaela chama esse formato de Locação Integrativa de Estações de Trabalho — e diferencia com precisão do que seria apenas um coworking. No Sistema Autentis, os profissionais são selecionados para compor um time multidisciplinar alinhado em qualidade e posicionamento. Cabeleireiros, esteticistas, maquiadores, nail designers e outros especialistas compartilham o espaço, mas operam dentro de uma dinâmica integrada que estimula indicações cruzadas e fortalece o fluxo de clientes. A própria criadora define essa estrutura como uma “colmeia”: cada profissional contribui para o fortalecimento do conjunto.

“A vantagem operacional é decisiva. Essa metodologia reduz drasticamente os custos administrativos e torna a operação mais leve, moderna e escalável”, afirma Rafaela.

Reconhecimento formal e presença internacional

O impacto do Sistema Autentis não passou despercebido. Em 2025, Rafaela de la Lastra recebeu o Diploma de Honra ao Mérito como profissional em destaque do ano, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — reconhecimento direto pela criação e expansão do sistema.

Apenas no ano de lançamento do modelo para o mercado, mais de 120 salões foram mentorados, distribuídos pelo Brasil e em outros cinco países: Angola, Guiana Inglesa, Estados Unidos, Portugal e Itália. No segundo semestre de 2025, mais de 100 novos espaços de beleza aderiram ao formato — um crescimento que consolida o sistema como alternativa real, e não apenas experimental.

Na próxima segunda-feira, 30 de março, Rafaela será a palestrante principal do Fórum Gestores da Beleza, onde abordará três eixos que considera inseparáveis na gestão moderna do setor: saúde mental, modelo sem comissão e gestão enxuta. A presença no evento é mais um sinal de que sua voz passou a pautar o debate estratégico do setor.

Quem viveu a transição conta

A força do Sistema Autentis se revela com mais clareza nos relatos de quem abandonou o modelo de comissões e não voltou.

Thalita Abreu, cabeleireira de Mato Grosso do Sul, passou treze anos como profissional comissionada antes de decidir abrir seu próprio espaço — e adotar o sistema desde o início. O movimento não foi simples. “Chegou num ponto que eu já estava bem confusa se eu era CLT ou autônoma. Eram muitas cobranças”, conta.

A virada foi imediata. No primeiro mês após adotar o modelo integrativo, o faturamento de Thalita praticamente dobrou. Das demais profissionais que trabalham em seu espaço, todas registraram crescimento. Para ela, a explicação vai além dos números: “O administrativo sempre era muito bruto com a gente, porque era só estresse — e as clientes sentem isso. Agora o ambiente está leve. Os fluxos de clientes entre nós profissionais estão cada vez melhores.”

Thalita também destaca um efeito que não estava no cálculo inicial: a eliminação de estruturas desnecessárias. “Como cada profissional recebe diretamente do seu cliente, esse serviço de administrativo e secretária não precisa. Está muito tranquilo.”

Sobre o investimento no curso e na metodologia, ela é direta: “Eu falei pro meu esposo que a prestação era meiopesadinha – hoje eu nem lembro mais que estou pagando. A nossa economia, em vista de um salão no modelo tradicional, é muito grande.”

Uma transformação silenciosa, mas estrutural

O que Rafaela de la Lastra propõe não é uma tendência de nicho. É uma revisão do contrato implícito que sempre existiu entre salões e profissionais — e que, segundo ela, nunca serviu bem a nenhum dos lados.

Em um cenário onde o setor enfrenta informalidade crescente, dificuldade de retenção de talentos e aumento de custos operacionais, o modelo integrativo se apresenta como resposta a múltiplos problemas ao mesmo tempo: previsibilidade financeira para o dono, autonomia real para o profissional e um ambiente de trabalho mais saudável para todos.

A expansão para seis países, o reconhecimento legislativo e a palestra no principal fórum do setor indicam que o Sistema Autentis deixou de ser uma aposta para se tornar uma referência. E Rafaela de la Lastra, filha de uma das maiores histórias da beleza brasileira, posiciona-se agora como a empresária que está escrevendo o próximo capítulo.

Rafaela de la Lastra é especialista em gestão de salões de beleza e criadora do Sistema Autentis. Palestrante principal do Fórum Gestores da Beleza em 30 de março de 2026, foi reconhecida com o Diploma de Honra ao Mérito pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 2025.

 

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